Política

Eleições 2026: em quem o Parque Edu Chaves deve votar para deputado?

Eleições 2026: em quem o Parque Edu Chaves deve votar para deputado?

Escrevo hoje este artigo não como jornalista e editora. Escrevo como cidadã, como moradora do Parque Edu Chaves e como integrante de uma família que, há mais de 70 anos, escolheu o nosso bairro para viver.

Às vésperas das Eleições 2026, uma pergunta não sai da minha cabeça: será que, finalmente, vamos eleger deputados que tenham um compromisso real com o Parque Edu Chaves?

No dia 4 de outubro, os brasileiros irão às urnas para escolher, entre outros cargos, deputados federais e deputados estaduais. E talvez seja justamente este o momento de nós, moradores do Parque Edu Chaves, olharmos com mais atenção para quem pede o nosso voto.

O que os candidatos já fizeram pelo Parque Edu Chaves?

Como cidadã, tenho procurado cumprir minha parte.

Participo de reuniões de bairro, das reuniões do Conseg, integro Coletivos de Moradores e acompanho, cobro e fiscalizo as ações do poder público em nossa região.

Acredito que todos nós deveríamos fazer um pouco disso.

Por isso, tive a curiosidade de pesquisar quem, de fato, já fez alguma coisa pelo nosso bairro — e quem aparece apenas em época de eleição para fazer promessas tentadoras, mas que depois desaparecem.

É aquele velho ciclo que nós conhecemos tão bem: “eles fingem que vão fazer e nós fingimos que acreditamos” .

Somos um bairro com uma população expressiva e, apesar disso, ainda tenho a sensação de que não conseguimos construir uma representação política com vínculo permanente com o Parque Edu Chaves.

Talvez porque sejamos um bairro de divisa, cercado por regiões maiores e mais populosas. Ficamos entre territórios eleitorais e, muitas vezes, acabamos passando despercebidos por quem tem interesse em conquistar votos.

E isso vale inclusive para aqueles que podem até ter boas intenções, mas não conhecem de perto as nossas necessidades.

Quando uma conquista do bairro vira propaganda eleitoral

Há algumas semanas, por exemplo, um candidato que já está em seu segundo mandato como vereador e agora pleiteia uma vaga como deputado federal esteve na Praça Comandante Eduardo de Oliveira, a praça central do Parque Edu Chaves.

Durante a visita, afirmou que revitalizaria a praça e apresentou-se como responsável pela aprovação da reforma.

Mas será que foi exatamente assim?

Segundo o que pesquisei, as discussões sobre a reforma da praça já acontecem há bastante tempo. O tema chegou a ser tratado no Conselho Participativo Municipal, e a verba utilizada na intervenção, pelo que pude verificar, não veio de uma emenda do vereador em questão.

Antes disso, moradores já haviam se organizado e realizado um abaixo-assinado em defesa da reforma. A mobilização, segundo os documentos e informações que consultei, contou com a participação de outro candidato, desta vez um novato na política que disputa uma vaga na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.

Não estou dizendo aqui que um ou outro candidato seja responsável por tudo.

Estou dizendo que a população precisa saber exatamente quem fez o quê.

Uma coisa é participar de uma conquista coletiva. Outra é apresentar-se como seu único responsável.

Bandeirinhas não são compromisso com o bairro

Também posso citar o caso de outra vereadora que atualmente disputa uma vaga para deputada federal.

Até onde consegui verificar, ela não destinou emenda ou apresentou projeto especificamente voltado ao Parque Edu Chaves, não realizou visitas que eu tenha conhecimento e, sinceramente, talvez nem conheça de perto a realidade do nosso bairro.

Mas suas bandeirolas chegaram às nossas ruas.

Há alguns anos, diante de uma demanda da nossa comunidade, procurei a assessoria dessa vereadora para pedir ajuda.

A resposta que ouvi da assessora foi: “A vereadora não tem interesse de atuar no seu bairro.”

Na hora, indignada, respondi: “Poxa, acho que cometi um equívoco. Pensei que ela fosse uma vereadora municipal e não bairral.”

A frase virou uma boa lembrança de que representar uma cidade inteira deveria significar também olhar para os bairros que não estão no centro das atenções políticas.

Quem realmente trouxe o metrô para a região?

Também temos os candidatos que apresentam como conquista própria a construção do futuro metrô que virá de Guarulhos e passará pela nossa região.

Mas a discussão sobre a expansão do transporte metroviário para essa área é muito anterior às atuais campanhas eleitorais. Vem desde os anos 70, quando muitos desses candidatos ainda nem haviam nascido.

Então fica a pergunta:

quem realmente participou dessa construção política?

Qual foi o papel de cada deputado?

Qual foi o papel do governo estadual?

Quais foram as reivindicações históricas da população?

E, principalmente, o que já estava sendo discutido antes de determinado candidato aparecer para reivindicar a autoria?

É isso que nós, eleitores, precisamos descobrir.

Emendas para a saúde: quem fez e quem sustentará?

Temos ainda as questões dos postos de saúde, AMAs, hospitais e tantos outros equipamentos públicos.

São muitos pais para poucas crianças.

Um vereador ou deputado consegue enviar uma emenda de R$ 200 mil para determinado equipamento. Para nós, cidadãos comuns, parece muito dinheiro — e realmente é uma quantia importante.

Mas será que R$ 200 mil resolve, sozinho, os problemas de uma unidade de saúde?

É preciso olhar para além da fotografia da entrega.

Quem destinou o recurso?

Qual era a finalidade da emenda?

Quanto o equipamento recebe regularmente para funcionar?

Quem é responsável pela manutenção?

Qual foi o papel da Prefeitura, do Governo do Estado, da Câmara Municipal, da Assembleia Legislativa, da Câmara dos Deputados e da própria comunidade?

Porque, muitas vezes, uma conquista pública é resultado de um conjunto de ações e pressões, e não da atuação isolada de uma única pessoa.

Mesmo assim, não é raro ouvirmos:

“Eu fiz.”
“Eu realizei.”
“Eu implementei.”

Será mesmo?

O Instituto Federal e a disputa pelo protagonismo

Recentemente, participei de Assembleias Participativas relacionadas à construção do Instituto Federal no Jaçanã, projeto que também beneficiará estudantes do Parque Edu Chaves.

Eu acompanhei as discussões, ouvi moradores e escutei a própria direção do Instituto Federal falar sobre quem teve participação nessa conquista.

Por isso, chamou minha atenção quando, em uma dessas atividades, outro deputado federal — inclusive do mesmo partido — apareceu reivindicando para si o protagonismo pela conquista.

Para mim, foi uma situação desconfortável.

Não porque um político não possa reivindicar sua participação em uma conquista.

Pode.

Mas porque o eleitor tem o direito de saber qual foi a participação efetiva de cada agente político.

Quem apresentou a proposta?

Quem articulou?

Quem destinou recursos?

Quem pressionou?

Quem participou das reuniões?

Quem apenas apareceu na hora da fotografia?

Essas diferenças importam.

E também precisamos reconhecer quem ajudou

Não quero ser injusta.

Ao longo dos anos, tive demandas pontuais para nosso bairro atendidas por vereadores e deputados de diferentes posições políticas — de esquerda, centro e direita.

E reconheço isso.

A questão é outra.

Atender uma demanda pontual é diferente de construir um vínculo permanente com o bairro.

É isso que deveríamos cobrar dos candidatos que agora batem às nossas portas.

Não apenas uma visita.

Não apenas uma fotografia.

Não apenas uma bandeira.

Não apenas uma emenda.

Queremos saber quais são os compromissos concretos com o Parque Edu Chaves.

Então, em quem o Parque Edu Chaves deve votar?

Vocês devem ter percebido que, neste artigo, não citei nomes.

E foi proposital.

Minha intenção não é fazer propaganda de um candidato, muito menos prejudicar quem quer que seja.

Minha intenção é despertar em vocês a mesma curiosidade que tive: pesquisem os candidatos.

Não acreditem apenas no santinho.

Não acreditem apenas na postagem do Instagram.

Não acreditem apenas no discurso feito na praça.

Procurem saber o que cada candidato já fez.

Verifiquem as propostas.

Pesquisem as emendas parlamentares.

Procurem projetos apresentados.

Olhem o histórico de atuação.

Descubram quais candidatos realmente conhecem o Parque Edu Chaves.

E, principalmente, cobrem compromissos que possam ser acompanhados depois da eleição.

A Justiça Eleitoral disponibiliza informações oficiais sobre candidaturas e contas eleitorais, o que também permite ao eleitor pesquisar quem está disputando a eleição e acompanhar dados da campanha.

O Parque Edu Chaves precisa aprender a cobrar

Independentemente de quem você escolher para deputado federal ou deputado estadual, uma coisa deveria ser consenso: o voto não encerra a nossa participação política.

Depois da eleição, precisamos continuar cobrando.

Precisamos perguntar onde estão aqueles que prometeram.

Precisamos acompanhar as emendas.

Precisamos saber quais projetos foram apresentados.

Precisamos participar das reuniões.

Precisamos ocupar os espaços de participação popular.

Precisamos lembrar aos nossos representantes que eles não foram eleitos apenas para aparecer durante a campanha.

Somos o Parque Edu Chaves.

E não devemos nos contentar com “emendinhas” cala-boca, nem com projetos realizados em bairros próximos apresentados como se fossem conquistas nossas.

Não devemos aceitar que alguém apareça aqui a cada quatro anos, coloque algumas bandeiras nas ruas, tire algumas fotos e desapareça depois da eleição.

Precisamos conhecer, questionar, pesquisar e cobrar.

Porque o nosso voto vale muito.

E o Parque Edu Chaves merece muito mais do que promessas eleitorais.

Merece representação.
Merece compromisso.
Merece respeito.

Lembrem-se sempre disso.

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