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Acadêmicos de São Jorge recebe selo Território Antirracista e reforça luta contra o racismo no Parque Edu Chaves

Acadêmicos de São Jorge recebe selo Território Antirracista e reforça luta contra o racismo no Parque Edu Chaves

Escola de samba do Parque Edu Chaves é a primeira agremiação carnavalesca a receber o reconhecimento, que integra uma rede de espaços comprometidos com o enfrentamento ao racismo

A Escola de Samba Acadêmicos de São Jorge, do Parque Edu Chaves, recebeu nesta segunda-feira, 22 de setembro, o selo Território Antirracista, iniciativa que busca ampliar a rede de espaços comprometidos com o enfrentamento ao racismo no estado de São Paulo.

A São Jorge é a primeira escola de samba a receber o selo, levando para dentro de um espaço tradicional de convivência, cultura popular e formação de jovens uma discussão que ultrapassa os limites do Carnaval: o compromisso de enfrentar o racismo e construir ambientes de respeito e proteção à população negra.

A entrega do selo foi realizada pela deputada estadual Ediane Maria, autora do projeto que deu origem à Lei Estadual nº 18.427/2026, conhecida como Lei do Protocolo Antirracista. A parlamentar esteve na escola para formalizar a adesão da Acadêmicos de São Jorge à iniciativa.

Mais do que um certificado na parede, o reconhecimento representa, para a escola, a incorporação de um compromisso com uma questão que atravessa a história da população negra brasileira.

Deputada Ediane Maria e Presidente da Acadêmicos de São Jorge Rodney Cruz

O que é um Território Antirracista?

A iniciativa Territórios Antirracistas foi criada com a proposta de reunir e divulgar estabelecimentos que se comprometem com a aplicação do Protocolo Antirracista e oferecer formação para as equipes desses espaços.

A ideia é criar uma rede de locais preparados para reconhecer situações de racismo, acolher vítimas e tomar as providências necessárias.

Segundo informações divulgadas sobre a iniciativa, mais de 100 estabelecimentos no estado de São Paulo já aderiram ao selo. A rede inclui bares, restaurantes, casas culturais e outros espaços de circulação de pessoas.

A proposta, portanto, não se limita à identificação visual de um estabelecimento como espaço antirracista. O objetivo é também promover informação e formação para que funcionários e responsáveis saibam como agir diante de uma situação de violência racial.

O que determina a Lei do Protocolo Antirracista?

A Lei Estadual nº 18.427, de 13 de março de 2026, determina que estabelecimentos comerciais de grande circulação de pessoas adotem medidas de prevenção, conscientização e acolhimento diante de situações de violência racial.

Entre as medidas previstas estão o acolhimento da vítima em espaço reservado, a comunicação imediata às autoridades policiais e a preservação das evidências que possam contribuir para a investigação.

A legislação também determina que as ações de proteção e encaminhamento das denúncias sejam realizadas com discrição, buscando preservar a integridade física e moral da vítima.

A lei nasceu de um projeto apresentado na Assembleia Legislativa de São Paulo e sancionado pelo Governo do Estado em março deste ano.

Na Acadêmicos de São Jorge, o combate ao racismo também passa pela cultura

A escolha da Acadêmicos de São Jorge para integrar essa rede ganha um significado especial para o Parque Edu Chaves.

As escolas de samba são espaços de cultura, música, dança, memória e convivência. Reúnem crianças, adolescentes, jovens, adultos e pessoas mais velhas em torno de uma manifestação cultural profundamente ligada à história e à resistência da população negra brasileira.

Na São Jorge, esse compromisso também aparece na formação das novas gerações.

Durante a entrega do selo, o presidente da escola falou diretamente aos jovens da bateria e lembrou que a luta contra o racismo não começou agora.

Segundo ele, quando esses jovens envelhecerem, poderão compreender ainda melhor o significado deste selo e que o enfrentamento ao racismo está relacionado a uma história muito mais longa, marcada pela escravidão e pela opressão da população negra no Brasil.

Para o presidente, receber o selo é uma celebração de um movimento de resistência ao racismo.

A fala também foi acompanhada de um alerta para outra questão que, segundo ele, precisa estar presente nessa luta: a violência contra as mulheres.

“Além de lutar contra o racismo, precisamos olhar, também, com mais cuidado para nossas mulheres. Temos que protegê-las e lutar contra a violência contra a mulher e contra o feminicídio”, afirmou.

Um selo que chega ao Parque Edu Chaves

A presença do Território Antirracista dentro da Acadêmicos de São Jorge também leva a discussão para o cotidiano do Parque Edu Chaves.

A proposta é que espaços de convivência sejam também espaços de respeito. Em uma comunidade onde diferentes gerações se encontram para construir atividades culturais, ensaios, apresentações e eventos, o compromisso de não tolerar situações de racismo ganha uma dimensão prática.

A adesão ao programa significa assumir publicamente que uma eventual situação de racismo não deve ser tratada como uma simples discussão ou como um problema a ser ignorado.

A vítima deve ser acolhida, as autoridades devem ser acionadas e as evidências devem ser preservadas, conforme estabelece o protocolo previsto na legislação estadual.

Resistência também se constrói dentro dos bairros

Para a Acadêmicos de São Jorge, o selo chega em um espaço que já exerce uma função cultural importante no Parque Edu Chaves.

Ao receber o reconhecimento, a escola passa a integrar uma rede que pretende transformar locais de convivência em Territórios Antirracistas — espaços onde a população negra possa circular, participar e se expressar sabendo que existe um compromisso formal de enfrentamento ao racismo.

Ao final da cerimônia, o presidente da São Jorge entregou uma camiseta da escola à deputada Ediane Maria, em gesto simbólico de aproximação entre a escola de samba e a iniciativa.

Mas o protagonismo da cerimônia ficou com a própria escola: a Acadêmicos de São Jorge agora leva para o coração do Parque Edu Chaves o compromisso de transformar resistência, cultura e convivência em instrumentos permanentes de enfrentamento ao racismo.

O que é o Protocolo Antirracista?

De acordo com a Lei Estadual nº 18.427/2026, estabelecimentos abrangidos pela legislação devem adotar medidas de prevenção, conscientização e acolhimento diante de situações de violência racial. Entre as medidas previstas estão:

• Acolher a vítima;
• Comunicar imediatamente as autoridades policiais;
• Preservar as evidências e colaborar com as autoridades responsáveis pela investigação.

A iniciativa Territórios Antirracistas busca ampliar esse compromisso por meio da adesão dos estabelecimentos e da formação de suas equipes.

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